Anvisa surpreende com decisão de liberar derivado de maconha para uso medicinal

Anvisa surpreende com decisão de liberar derivado de maconha para uso medicinal

Anvisa surpreende com decisão de liberar derivado de maconha para uso medicinal


Autor:
Figueiredo & Ferreira
Publicado em:
22-01-2015 00:00:00
Atualizado em:
19-02-2016 21:59:06

maconha para uso medicinalAnvisacanabidiolsubstâncias controladas


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A substância era antes proibida e agora a ideia é facilitar sua utilização terapêutica

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) surpreendeu semana passada com a aprovação da liberação do uso da canabidiol, que nada mais é, do que um dos princípios ativos da maconha para uso medicinal. Depois de tanto se falar sobre a maconha ser uma droga prejudicial, há algum tempo os órgãos relacionas à saúde se deram conta dos poderes terapêuticos e medicinais atrelados à essa substância. Em um país ainda retrógrado uma decisão dessas, em que uma substância “mal vista” que integrava uma lista de substâncias proibidas passa a fazer parte de uma lista controlada já é um avanço e tanto.

Mudanças

Dessa maneira, sabe-se que é a primeira vez que a Anvisa reconhece oficialmente o efeito terapêutico de uma substância advinda da cannabis. Essa decisão de um órgão tão importante e influenciável pode fazer com que outras empresas, como laboratórios solicitem o registro de produtos e remédio à base da substância no país. Isso pode levar a uma melhoria e evolução em certos tratamentos que podem ser aprimorados a partir da substância. Para se ter uma ideia, a mudança foi aprovada por unanimidade em votação. Um dos fatores fundamentais que contribuiu para a decisão unânime foi a comprovação, com base em estudos, que a canabidiol não apresenta dependência quando consumida por via oral e nem efeitos adversos.

Na prática a mudança faz com que a canabidiol saia da lista E e F2 de substâncias entorpecentes para a lista C1 de substâncias controladas em que o medicamente precisa de aprovação para seu desenvolvimento. Ainda é um caminho burocrático a ser seguido, uma vez que a restrição da importação irá continuar, mas esse reconhecimento por mais atrasado que seja, tendo em vista todas as pesquisas e constatações já apresentadas sobre o assunto, é um marco na história da saúde e realmente pode fazer a diferença na vida de muitos pacientes que sofrem de casos graves de epilepsia e outras doenças que poderão usufruir de todos os benefícios inerentes à substância.

Avanços

Mais do que nunca a ideia é levar o tema para outros segmentos, expandir essa causa pelo Brasil através de encontros envolvendo a classe médica para desmistificar esse preconceito que ainda reina em pleno século XXI no entorno do tema. Os laboratórios das universidades que antes não podiam manipular essa substância poderão utilizá-la para experimentos, diagnósticos e até ser prescrito por psiquiatras, neurologistas e neurocirurgiões em consultas. Esses profissionais poderão realizar ensaios clínicos e a medicação poderá assim cumprir os fins de registro e quem sabe chegar às farmácias, de fato.

As famílias terão de solicitar à Anvisa autorização para importar o medicamento, uma vez que não existe registro de medicamentos e produtos semelhantes aqui no Brasil. O pedido é necessário, pois sabe-se que existem outros canabinoides que permanecem proibidos, como é o caso do THC. A ideia para facilitar esse processo de importação é criar uma lista de produtos utilizados e que terão liberação previamente autorizada. Uma nova resolução sobre o tema deverá ser apresentada em um mês.